Publicado em:
11/02/2026
O avanço tecnológico da inteligência artificial está rompendo barreiras que antes pareciam inalcançáveis, especialmente quando se trata de desvendar os mistérios dos sons subaquáticos. O Google DeepMind, gigante em pesquisas de IA, desenvolveu o Perch 2.0 — um modelo inovador de bioacústica que, surpreendentemente, foi treinado inicialmente para identificar sons de mais de 14 mil espécies terrestres, principalmente pássaros. Agora, essa mesma IA está ultrapassando modelos especializados em sons marinhos, trazendo novas perspectivas para a biologia marinha e conservação ambiental.
Perch 2.0 é um modelo de fundação em bioacústica criado pela DeepMind para identificar sons de animais terrestres, incluindo aves, mamíferos, anfíbios e insetos. A inovação está no uso do aprendizado de transferência, que permite que o modelo aplique o que aprendeu sobre os padrões acústicos terrestres para analisar sons subaquáticos, que possuem características muito diferentes devido ao meio líquido.
Na prática, o Perch 2.0 utiliza visualizações de embeddings, como o tSNE, para agrupar sons semelhantes de forma precisa. Essa capacidade foi demonstrada na habilidade do modelo em distinguir sons específicos de baleias de Bryde e diferentes ecótipos de orcas, algo que modelos marinhos tradicionais tinham dificuldade para realizar. A universalidade dos padrões acústicos captada pela IA mostra que a transmissão do som segue princípios fundamentais compartilhados entre habitats terrestres e aquáticos.
A aplicação prática do Perch 2.0 vai além do ambiente acadêmico e científico, entrando com força no setor de sustentabilidade e ESG. Empresas envolvidas em energias renováveis offshore, exploração responsável dos oceanos, ou monitoramento ambiental, podem utilizar essa tecnologia para reduzir drasticamente os custos de análise e garantir proteção de espécies vulneráveis. A capacidade desse modelo de oferecer dados precisos em larga escala permite uma resposta mais ágil e informada para políticas ambientais e estratégias de conservação.
Além disso, para desenvolvedores e entusiastas da IA, o Perch 2.0 é a prova concreta da eficiência dos modelos de fundação que servem como base para múltiplas aplicações, sem a necessidade de começar do zero em cada cenário. Isso acelera o ritmo de inovação em diversas áreas tecnológicas.
A Innovation Latam enxerga no Perch 2.0 a expressão perfeita da convergência entre tecnologias e ciências. O próximo passo visa a integração de modelos de IA em dispositivos de monitoramento em tempo real, como sensores instalados em boias oceânicas. Essa integração permitirá a criação de um “Google Maps do Som Oceânico”, revolucionando a forma como governos e organizações ambientais monitoram e protegem os oceanos.
Esse avanço confirma que a inteligência artificial está atingindo um nível sofisticado de compreensão estrutural do mundo físico, começando com sons de pássaros e agora se convertendo na guardiã dos ecossistemas marinhos. A expectativa é que, com essa tecnologia, os mares sejam mais transparentes e protegidos para futuras gerações.
Este desenvolvimento do Google DeepMind destaca a importância da interdisciplinaridade e da inovação contínua no campo da IA, reforçando seu papel transformador em desafios globais ambientais e científicos, um verdadeiro salto em direção ao futuro da conservação marinha.